Better humans, better brands, better world



É isso. É nisso que acredito.


O caminho que conduz a um mundo melhor passa pelas nossas mãos, enquanto humanos e realizadores incansáveis. Seja em nossas próprias empresas (ou atuando na empresa dos outros) ou em organizações da sociedade civil e coletivos sem fins lucrativos.


Portanto, um mundo melhor passa sim pelas empresas, marcas e negócios que criamos e realizamos, de forma cada vez mais consciente, humana, autêntica e verdadeira.

A gente costuma passar a vida em uma intensa busca por significado profundo e propósito, não é mesmo?


Em uma visão romanceada de mundo, acreditamos que só encontraremos tudo isso fora do mundo capitalista. Assim, quando jovens, como forma de alimentar nossa crença num mundo melhor, ingressamos em movimentos culturais ou contraculturais.


Mas o tempo passa, a vida adulta chega. E então percebemos que, invariavelmente, começam a chegar uns tais de boletos em casa. E, pasmem: eles precisam ser pagos todo santo mês.


Passamos então a comercializar o nosso tempo "livre" em troca de prata. Em lojas, pequenas empresas e, eventualmente, chegamos às grandes empresas. Corporações vilanizadas quando jovens, hoje fonte de sustento.


Mas precisa ser assim? O lucro e a busca por capital precisa ser uma jornada sangrenta e desumana? Apenas as organizações civis e coletivos sem fins lucrativos são nobres e puros? Apenas eles anseiam e trabalham por um mundo melhor?




John Mackey, fundador do Whole Foods e autor da teoria do Capitalismo Consciente, afirma em seu livro com Raj Sisodia que ele mesmo, quando jovem, se abraçou fortemente à ideologia de que os negócios e as corporações eram essencialmente diabólicas porque elas buscavam apenas o lucro de forma egoísta. Ele realmente acreditava que o capitalismo era unicamente baseado em ganância, individualismo e exploração — de consumidores, trabalhadores, sociedade e meio ambiente. Tudo pela maximização dos lucros.


Então, ele mesmo criou um negócio.


Um pequeno mercado local de comidas naturais. E então, tornou-se um capitalista, segundo suas próprias palavras no livro, no que ele descreve como "primeiro despertar".


Mas ele então percebeu que um negócio pode ser baseado em cooperação e intercâmbio voluntário. Pessoas voluntariamente se relacionando para ganhos mútuos. Mackey traz no livro uma reflexão em que afirma que ninguém é forçado a se relacionar com um negócio. Consumidores têm ao seu dispor alternativas de empresas e marcas no mercado, colaboradores podem trabalhar em outras empresas, investidores tem inúmeras alternativas para investir o seu capital e fornecedores também podem oferecer seus produtos e serviços para uma lista variada de opções.


Logo, um negócio não precisa ser mais um jogo em que apenas um ganha muito em cima dos outros e pode passar a ser um jogo de ganha-ganha-ganha-ganha-ganha. Assim, um negócio é um esforço colaborativo e voluntário entre pessoas que optam por se relacionar em nome de um ou mais objetivos em comum. E, cada vez mais, todos esses atores consideram um propósito em comum para escolherem com quem querem se relacionar.


E as empresas não precisam definir do zero um propósito ou escolher um em um cardápio fixo de temas existenciais e inspiracionais. Elas precisam apenas voltar às suas origens. Fazer um profundo mergulho em sua essência. No estágio embrionário de sua existência. Em seu berço criativo. E assim encontrar e desvendar o porquê inicial de tudo. É justamente no embrião do nascimento das empresas o lugar em que reside a sua razão de existir. Nos planos de um sonhador que teve a coragem de transformar um sonho em negócio.


Raul Santahelena é autor dos livros:


"Muito Além do Merchan: como enfrentar o desafio de envolver as novas gerações de consumidores" (Ed. Elsevier, 2012) LEIA AQUI


"Truthtelling: por marcas mais humanas, autênticas e verdadeiras" (Ed. Voo, 2018) LEIA AQUI


"Ou Soma Ou Some: empreenda com propósito elevado, significado profundo e lucro consciente" (em breve)


Professor de Branding Planning na Miami Ad School / ESPM.


Mestrando em Gestão da Economia Criativa na ESPM.


Gerente de Publicidade e Mídia na Petrobras.

Compre o livro Capitalismo Consciente de John Mackey e Raj Sisodia.